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Publicado nesta página, em 19/08/09.
Mídias onde o texto foi publicado (pesquisa na Internet): A Tribuna - Santos - SP (19/08/09)
Obs.: Crônica produzida exclusivamente para mídias da Costa da Mata Atlântica (Baixada Santista)
SANTOS E MARSELHA Li, em "A Tribuna", que Santos e Marselha devem firmar, proximamente, uma parceria que as tornará cidades irmãs. Tal notícia proporcionou-me uma adiada viagem a um passado nem tão distante assim: meados dos anos de 1980, quando participei de um concurso de bolsas de estudo de pós-graduação, promovido pela Fundação Rotária. Depois de um longo processo seletivo, parti para um ano de estudos na França. Cheguei a Paris, peguei um TGV e fui parar na Gare Saint-Charles, em Marselha: mudança radical para um santista que nunca tinha ido além do Rio de Janeiro e, mesmo assim, no máximo por uma semana. Semelhanças com Santos? Várias: Encontrei uma cidade orgulhosa de suas centenas de anos de história; fundada por navegadores gregos, já como porto: "Carrefour du monde" (encruzilhada do mundo). Cosmopolita por natureza e vocação, lá também vi gentes de todas as raças, etnias e religiões convivendo nas estreitas vielas da velha cidade e nas largas avenidas que passaram a modificar seu plano urbano a partir do século 19. Dois fortes: Saint Nicolas e Saint Jean, também "defendem" a entrada do Porto Velho, que virou porto de pesca e lazer, rodeado por simpáticos bistrôs. Sua população é aproximadamente o dobro da nossa. Seu porto comercial é o mais importante do país. Um dos esportes favoritos da terceira idade é a "boule de pétanque", muito semelhante a bocha e a malha. O time da cidade, o Olympique, é um dos principais da França, e já teve Jairzinho e Paulo César "Caju" em suas fileiras. Politicamente, Marselha também ensinou a liberdade aos franceses, tanto que a "Marseillaise", inspirada em seus revolucionários, é seu belíssimo hino nacional. Mas a cidade igualmente viveu seus tempos obscuros, sob a República colaboracionista de Vichy. Ainda guarda casamatas nazistas no Arquipélago do Frioul, de onde poderosos canhões miravam embarcações aliadas. Uma das paredes da Igreja de Notre Dame de la Garde ainda mantém as marcas dos tiros que marcaram a ocupação. Ela também fica no alto de um monte, de onde contempla e abençoa a cidade. Um de seus acessos é uma interminável escadaria. E por falar em religião, nas cercanias de Marselha fica a Sainte Baume, gruta onde, segundo a tradição, Maria Madalena viveu por trintas anos. A cidade também é arte, plena de museus e cenário frequente de filmes. O Château d’If serviu a Alexandre Dumas, para ambientar parte do romance "O Conde de Monte Cristo". A Avenida Canebière lembra, em parte, a paisagem da Ana Costa, nos tempos da Cinelândia santista, que vivi com infantil intensidade. O Brasil também estava ali, bem pertinho, no Consulado de Rua Saint Férreol, onde eu lia jornais e revistas, pois a Internet ainda não estava disponível e as ligações telefônicas tinham dia e hora programados. Um pouco mais distante, estudantes brasileiros faziam batucadas nas ruas de Aix-en-Provence, cidade conhecida pelas universidades, onde o Museu Vasarélly tem obras que lembram os painéis das primeiras estações do metrô de São Paulo e Jorge Amado dá nome a uma cátedra. Diferenças? Marselha é bem resolvida no âmbito de acessos: dispõe de rodovias, ferrovias e um de ótimo aeroporto: Marignane. A cidade participa diretamente da administração portuária. Assim, temos muito em comum e muito a compartilhar, com mútuo proveito. Somos, de fato, cidades irmãs: latinas, mas também plurais. "Bateu" uma saudade... As praias? Bem, as de areia eram raras. A maioria era forrada com pedrisco e a água do Mediterrâneo era gélida. No entanto, o "calor" de naturalíssimos "topless" compensava amplamente: "Vive la France"!
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