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Publicado nesta página, em  26/11/08.

 

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O Paraná - Cascavel - PR (27/11/08)

Nova Imprensa - Formiga - MG (28/11/08)

Tribuna Impressa - Araraquara - SP (28/11/08)

Boqueirão News - Santos - SP (06/12/08)

Jornal da Cidade - Bauru - SP (12/12/08)

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O Brasil sempre foi um pouco “estranho no ninho”, na América do Sul.

Língua e colonização diferentes limitam nossa integração cultural, embora nossa condição de ex-colônias nos irmane. Também nos aproxima a história recente, permeada por governos elitistas, mal-intencionados ou, simplesmente, incompetentes (às vezes tudo ao mesmo tempo), que cultivaram pobreza e violência, enquanto suas elites alienadas e fúteis viviam num paraíso multinacional, sustentadas pela corrupção.

Considerando os tempos atuais, até que a questão idiomática virou secundária. Entendemo-nos tão bem que há imigrantes radicados há décadas no Brasil, que nunca sequer se esforçaram para falar português. O problema parece ser mais cultural e econômico, mesmo entre povos de mesma origem, afinal: argentinos e chilenos tem suas querelas; chilenos e bolivianos também; idem para equatorianos e colombianos; e por aí vai.

No geral, a América do Sul sempre personificou o ditado: “casa onde não há pão, todos gritam e ninguém tem razão!”. E quando alguém tem pão, pensa que é o dono da “padaria” ou da seara!

Não é à toa que nessas plagas o poder sempre foi disputado por extremos: ditadores violentos e líderes revolucionários, que só sabem viver em guerra. Com isso, “el sangre caliente” latino, em vez de correr nas artérias do futuro, sempre escorreu para as veias do passado. Esse sofrimento nos deu grandes poetas, artistas e mártires, mas pouca consciência continental.

Em vez de unir forças, cada novo governante quer ser um novo “Simon Bolívar” ou “pai” dos pobres. Pensa que pode resolver problemas sociais seculares com um estalar de dedos ou com um terremoto financeiro, regado a nacionalizações ou concessões onerosas de quem os apoiou.

O Brasil não foi inocente ao apoiar candidatos “populares” em países vizinhos. Havia estratégias envolvidas. Mas, os desdobramentos recentes mostram que, se existiam acordos, ou eram lesivos aos interesses nacionais ou nossos parceiros mostraram não ser confiáveis. “Muy amigos”, celebraram parcerias de forma maliciosa, nas quais entramos com o investimento e eles com o calote. Amizade unilateral ou uma “lição” para quem “foi buscar lã, mas saiu tosquiado”?

O que assusta é que a cada nova atitude prejudicial ao Brasil, a surpresa de seus autores perante a reação de nosso governo sugere que elas seriam “naturais”, ou, então, que eles contavam com esse tipo de “compreensão” ou “apoio” do Brasil, talvez por pensarem que, por ser “Gigante, pela própria natureza”, o que tomassem não faria falta ao nosso país.

Estamos aprendendo alguma lição com isso? Será que compensa financiarmos projetos “democráticos”, mas que buscam plenos poderes?

No mais, com tantos problemas internos para resolver, qual a justificativa para investir em países cujos governos não honram seus acordos?

Se for para fazer caridade, tem gente precisando dela aqui mesmo, no Brasil. E ali, logo na esquina!

O ideal é que haja consciência continental e comunhão de interesses entre povos, representados por governantes legítimos e esclarecidos. O Brasil deve ser vanguarda nesse intento, mas sem jamais deixar-se tratar como “gigante de pés de barro” ou “grandão bobo”. Nesse sentido, o governo brasileiro precisa urgentemente reavaliar suas estratégias e posturas diplomáticas para o continente.

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