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Publicado nesta página, em 24/07/08.
Mídias onde o texto foi publicado (pesquisa na Internet): Agora MS – Dourados – MS (22/07/08) Wellness Club - BR (25/07/08) A Tribuna MT - Rondonópolis - MT (25/07/08)
No início de 1982, eu estava no último ano de Engenharia Civil. A escassez de livros técnicos em português obrigava à consulta de publicações estrangeiras, normalmente em inglês ou espanhol. Um dia, meu pai me avisou que uma escola de idiomas estava oferecendo bolsas de estudo para um curso de francês. Francês... Eu havia aprendido um pouco desse idioma no, hoje, Ensino Fundamental público. Também aprendera a gostar de música francesa nos anos sessenta. No cinema, como todo adolescente de então, eu era fascinado por Brigitte Bardot e curtia as estripulias de Jean Paul Belmondo. Também já havia lido e gostado de obras de Victor Hugo e Alexandre Dumas. Aprender francês, então, só esbarrava no preconceito, pois a maioria das pessoas que eu ouvia falar francês, principalmente na TV, era afetada e um tanto arrogante. Depois, descobri que o problema não era o idioma, mas as pessoas. Não consegui a bolsa de estudos, pois a documentação exigida era complicada e constrangedora. Coisas do tempo do "Atestado de Pobreza". A grana era extremamente curta e a família grande, mas resolvi encarar o curso, com o apoio de meu pai e mais um aperto no cinto. A paixão pelo idioma começou já nas primeiras aulas: a professora era ótima! Em pouco tempo, os alunos já se expressavam com desenvoltura. Resolvi economizar mais ainda e fazer cursos de férias. De repente, surgiu a possibilidade de uma outra bolsa de estudos, de pós-graduação em Engenharia, no exterior. A França era referência nessa área! Eu já estava formado, mas meu bom currículo acadêmico não servira para conseguir trabalho. Eram tempos de crise e eu não tinha ""QI"" para conseguir empregos públicos ou em estatais sem concurso. Ele serviu, no entanto, para que eu fosse selecionado num processo prolongado e rigoroso. Faltava apenas o exame de proficiência em idioma. Ao final de duas horas, disseram que minha fluência estava acima da média, e lá fui eu para a terra de Descartes onde, mais uma vez, descobri que ser bom aluno tem seus inconvenientes. Soube que os alunos com desempenho insuficiente no idioma haviam feito, durante três semanas, um curso intensivo de francês, num castelo do Vale do Loire... Voltei ao Brasil em 1986 e, desde então, raramente falei francês. Quando resolvi fazer Mestrado em Educação, em 2006, obviamente minha opção foi por esse idioma. Passei sem problemas e ainda recebi uma "intimação" para ser intérprete de um conferencista da Sorbonne. Eu mal havia iniciado o curso e meu vocabulário em Educação ainda era limitado, mas deram-me "nota 9,0" para algo que eu nunca havia feito: tradução simultânea. Dois anos depois, o mesmo conferencista voltou para ministrar uma oficina. Novamente "intimado" a atuar como intérprete, desta vez já estava mais versado na área. Assim, seis horas fluíram de forma produtiva e prazerosa, confirmando que o que se aprende bem, logo se recupera. É como "faire du vélo" (andar de bicicleta), como dizem os franceses. Já se vão mais de vinte anos que meu avião pousou em Cumbica, mas não há como não ter saudades da França, país que, durante quase um ano, foi minha casa. Quem sabe, um dia, eu volte, agora com minha mulher e filho, para um novo curso, uma nova temporada no país de Rousseau e Molière. Seria "très bom", "superbe", "extra"! Aprender idiomas, além de útil, é um prazer!
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