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Publicado nesta página, em 10/02/09.
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A vida é curiosa e quase sempre nos surpreende, mesmo quando aparenta monotonia. Lecionar é, em princípio, um ato que se repete a cada ano. Costumamos brincar, entre professores, que, nesse sentido, os alunos são melhores do que nós, porque eles passam de ano, formam-se, enquanto continuamos na faculdade. Em razão disso, o grande desafio da docência está, não apenas na busca constante da atualização, mas também em manter a capacidade de surpreender-se e adaptar-se a cada nova turma que chega, de ter ciência de que a Universidade não é uma mera “linha de montagem” de especialista, mas, principalmente, mais uma etapa na formação de seres humanos. Nesse contexto, o professor não pode ser um mero “apertador” de parafusos ou mesmo um sofisticado robô, que ponteia soldas sempre nas mesmas coordenadas, com nanométrica precisão. O docente também não deve ater-se exclusivamente ao ambiente escolar ou limitar os alunos ao conhecimento que possui. Para formarmos pessoas que podem – e devem – transformar o mundo para melhor, é preciso que tenhamos a humilde consciência de que somos apenas um degrau, uma etapa num caminho que cabe a cada um construir. E o que surpreende e motiva um professor, então? Bem, muitas coisas, mas creio que a principal é encontrar alunos que o desafiem intelectualmente, que questionem sobre o que é ensinado, que queiram mais do que a simples retransmissão de conhecimentos fragmentados e sua aceitação como verdades absolutas, imutáveis. Esse desafio é ainda maior quando transcende o âmbito curricular e adentra o campo da paixão e do idealismo. É quando alunos nos procuram para falar de seus projetos, de seus sonhos, e eles também nos entusiasmam, com uma pontinha de boa inveja. Uma inveja que não é pecado. Uma inveja que nos motiva, também, a redescobrirmos nossos próprios sonhos e dar-lhes nova vida e dinâmica. Os alunos têm o dom de fazer esse bem ao professor! Daí, a docência, muito mais do que um processo de transmissão, é caminho que se sublima pela permuta, pelo mútuo aprendizado e evolução. A gente nunca conhece suficientemente bem as pessoas, mesmo as com quem convivemos mais proximamente. Mas, quando o que vemos e temos nos desperta interesse de conhecer mais, fica provado que a vida só é sem graça se a gente deixar ficar. Da mesma forma, os limites só existem para serem ultrapassados. São apenas os próximos degraus. A docência também tem esse fascínio de permitir que, independentemente da idade, o professor continue a participar do sonho de transformar o mundo para melhor, de reconstituir o néctar da sabedoria nas águas da fonte da juventude. Transformar o mundo para melhor... Tarefa complicada? Pode ser... Mas sabe-se lá o que o futuro nos reserva. Afinal, a vida é curiosa e quase sempre nos surpreende. Que bom que seja assim!
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