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Publicado nesta página, em 23/06/08.
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Thamara, ou, melhor, Tuca, ou, melhor ainda, Tuquinha nasceu especial: uma leve pluma, um pequeno e frágil anjo entre nós! Logo souberam que ela nunca andaria, jamais poderia ir à escola, não poderia fazer planos para o futuro. A única certeza é que ela precisaria ser uma lutadora, totalmente dependente do amor de seus pais. Crianças especiais precisam de pais especiais. E Tuquinha os tinha! Prontos para mover mundos e fundos para lhe dar os cuidados sem os quais aquele tênue fio de vida logo esvairia. Eliane e Nilson, os pais, são daqueles casais que você não consegue ver um sem o outro: corda e caçamba, goiabada com queijo. Onde muitos fraquejariam, eles mostraram que amor que tinham entre si poderia superar qualquer desafio que a vida pudesse lhes apresentar. E não eram poucos... Mas eles enfrentavam cada um com fé e garra: uma esperança que desafiava e motiva até aos mais céticos. Quando Thiago chegou foi uma alegria, também: Tuquinha tinha um irmãozinho! Ele foi crescendo... Aprendeu a andar... Começou a falar... E na sinceridade e pureza que toda a criança tem, um dia ele perguntou aos pais: “A Tuquinha não corre?”. Eles explicaram para ele que quando ela dormia fazia, em sonho, as mesmas coisas que nós. E não é verdade? O tempo foi passando e os cuidados com Tuquinha foram aumentando. No entanto, era nítido que quando os pais, o irmão e todas as pessoas que a amavam estavam por perto, ela sentia suas presenças. Ela estava ali, de corpo e alma! O fio de vida era mais forte do que parecia! Mas as convulsões eram cada vez mais intensas e o espaço entre elas, cada vez menor. Em 2007, ela quase nos deixou, mas ainda não era o momento de partir. Ela não ia à escola, nunca havida ido! Mas ainda tinha muito para nos ensinar! E os pais faziam de tudo para manter a “professorinha” na ativa. O pai havia aprendido com o basquete a desvencilhar-se das marcações sob pressão da vida. Com maestria, jogava todas as vicissitudes no cesto. A mãe usava o swing do jazz para não perder o tempo da dança do viver. Thiago também estava lá, para aprender com os três, como em qualquer família. Mas não era uma família qualquer: Deus estava ali! Mas, certo dia, veio uma convulsão mais forte e o fio de vida rompeu-se: nos braços do pai, Tuquinha desatou aquele simples nó que a manteve por poucos, mas bem vividos anos entre nós. Descansou... Fio de vida duradouro esse! Um único e estreito fio de vida que o amor e a fé de seus pais tornaram forte como a seda, e serviu para tecer uma existência que marcou profundamente a vida de todos que a conheceram. Fica difícil, quase impossível consolar pais que perdem um filho, mas Deus sempre nos surpreende: Ao saber que Tuquinha havia partido, Thiago, agora pré-adolescente, lembrou aos pais: “Agora ela pode correr!".
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