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Publicado nesta página, em 18/08/08.
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Tempos de lei seca geram mudanças de hábito. Creio que o efeito mais positivo dela é o preventivo, no aspecto psicológico. No âmbito prático, ainda acho que “fazer o quatro” e andar em linha reta são mais objetivos para indicar o grau de reflexo de um indivíduo do que o “bafômetro”; mas o medo da multa fez com que muitos aprendessem a conciliar divertimento com responsabilidade. Isso sem falar que, por mais que o álcool “descontraia”, não creio que ninguém “curta” uma ressaca. E ninguém agüenta um bêbado “mala”, por mais amigo que seja. Assim, grupos e casais fazem rodízio para dirigir; alguns bares e restaurantes, para não perderem clientes e faturamento, oferecem transporte! Com todas as restrições que possam ser feitas à medida, a redução dos acidentes foi significativa. Lecionar em cursos da área da Saúde permitiu-me conhecer o resultado de desastres automobilísticos e confirmar a veracidade daquele antigo ditado: “Deus protege os bêbados”, pois as vítimas mais graves são sempre os outros, infelizmente. Outra solução encontrada para quem gosta de uma “cervejinha”, vinho ou afins, é freqüentar barzinhos e restaurantes do bairro. Recentemente abriu um a poucos metros de onde moro. Resolvemos ir até lá e, ao chegarmos, além do ambiente agradável, vimos que tinha música ambiente, num tom que permitia que conversássemos em voz baixa. Era praticamente um fundo musical. Djavan, João Bosco, Emílio Santiago e até Jackson do Pandeiro, entre outros, faziam parte do repertório do músico, o qual, de tempos em tempos, olhava para todas as mesas. Mas todos pareciam entretidos com seus assuntos. Violão bem tocado, voz bem afinada, sem exageros, uma garrafa de água mineral à mão, ele demonstrava gostar do que fazia, mesmo que ninguém notasse. Mudamos de lugar porque o casal da mesa em frente começou a fumar sem se importar com a direção da fumaça... Sorte nossa: pudemos sentir o aroma da comida e apreciar melhor aquele pequeno show! O chope estava geladinho; a conversa, boa; a companhia, ótima: minha mulher e meu filho. Ao sair do restaurante, bati palmas silenciosas para o músico, agradecendo sua dedicação e qualidade. Ele, sem perder o ritmo ou o tom, retribuiu com um largo sorriso, Depois, bastou uma curta caminhada para voltarmos para casa. O maior risco do percurso era tropeçar num buraco na calçada ou pisar no produto da falta de educação de certos donos de cachorros. Diversão assim, sem exageros, permite que a gente aproveite melhor as boas coisas da noite... O melhor seria que não fossem necessárias leis e multas, mas, na falta de responsabilidade individual, as generalizações são necessárias.
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