Coisa de Pele

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Publicado nesta página, em  03/02/09.

 

  Mídias onde o texto foi publicado (pesquisa na Internet):

Agora MS - Dourados - MS (02/02/09)

Folha do Espírito Santo - Cachoeiro do Itapemirim - ES (02/02/09)

Jornal União - Londrina - PR (03/02/09)

Gazeta do Oeste - Mossoró - RN (03/02/09)

O Paraná - Cascavel - PR (03/02/09)

Wellness Club - BR (03/02/09)

Pantanal News - Aquidauana - MS (03/02/09)

O Estado do Pantanal - Aquidauana - MS (03/02/09)

Última Hora News - Campo Grande - MS (04/02/09)

Diário de Natal - Natal - RN (04/02/09)

A Tribuna MT - Rondonópolis - MT (06/02/09)

Conexão Maringá - Maringá - PR (01/03/09)

Diário de Penápolis - Penápolis - SP (21/03/09)

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Amor e ódio a primeira vista! Alguém acredita nisso?

Independentemente de acreditar ou não, cada um já deve ter sentido uma ou outra coisa em relação a outrem.

Simpatia, empatia, antipatia nem sempre podem ser explicadas. Almas gêmeas também existem ao avesso e nem sempre o “magnetismo pessoal” segue as mesmas regras da Física, pois nem todos os “pólos” contrários se atraem ou os iguais se repelem.

Sentimentos assim raramente surgem do “nada”. Às vezes a aversão daquela “primeira impressão, que fica” vem de experiências com pessoas ou situações desagradáveis, implícitas ou explícitas. As breves observações, quando confrontam nossas crenças e ideais, ou ameaçam nosso equilíbrio, podem erguer barreiras quase intransponíveis para o conhecimento mais amplo do outro. Caso isso ocorra, os contextos e os históricos serão absolutamente ignorados! A simples presença da pessoa nos causará “urticária”. Coisa de “pele”! E quase sempre tudo não passa de imaginação ou de pensamentos “falhos”. É como se o outro fosse um espelho onde refletimos. Quem não quer refletir, então transfere o problema para os outros, como se isso exorcizasse idiossincrasias.

Não creio que isso faça bem à saúde, mental ou espiritual!

A gente até tenta contornar esse obstáculo e “chegar” à pessoa ou, para ser “vygotskyano”, adentrar sua Zona Proximal. Mas, nem sempre isso é fácil.

A gente diz “Olá!” e, quando não é simplesmente ignorado - considerado um contratempo ou um “estranho no ninho”-, mal te olham. Às vezes o cumprimento é retribuído com ar “blazé” ou etéreo, ou com um sorriso do tipo “ISO 9000”: “Seu contato é muito importante para nós!”. E o tom de voz é formal, quase sempre finalizado com indefectíveis “mmmmm” ou “hã hã”, irônico. Alguns até olham nos olhos, mas ou é para procurar defeitos ou como se o outro fosse transparente, não no sentido de humano, mas fisicamente, ou seja, fosse possível ver através dele. Também há os que respondem, é verdade; mas nem sabem o que foi perguntado. Respondem qualquer coisa: “Papo de doido”!

Uma muralha é erguida e às vezes só nós sabemos de que material foi feita e no quê está embasada. A gente tenta transpô-la, mas isso às vezes cansa. Outras, francamente, nem vale a pena, sobretudo quando ela é construída pelo egoísmo, pela arrogância ou pela megalomania.

Essa “coisa de pele” existe, e para superá-la é necessário aprender a usar a “dermatologia da alma”; descobrir seus “antialérgicos”. Repelentes, além não funcionarem, ainda podem piorar a situação.

A aversão “gratuita” por quem mal conhecemos pode até ser confirmada e ampliada por convivência e análise mais intensas e prolongadas. Mas, contida no preconceito, pode impedir relacionamentos mutuamente proveitosos, inclusive para terceiros.

O remédio, portanto, não é externo. “Pomadinhas” de uso tópico não resolvem. É preciso analisar até que ponto essa “urticária” não é seqüela do confronto que o outro nos faz ter com valores frágeis, pessoais ou grupais, ou com a idealização ou ilusão que temos de nós mesmos.

Viver nem sempre é simples, não é? Então, para quê complicar mais?

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