A Relatividade do Tempo

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TEMÁTICA RURAL

Publicado nesta página, em  06/11/08.

 

  Mídias onde o texto foi publicado (pesquisa na Internet):

Agora MS – Dourados – MS (04/11/08)

Última Hora News – Campo Grande – MS (04/11/08)

24 Horas News – Cuiabá – MT (05/11/08)

Correio Popular - Ji-Paraná - RO (05/11/08)

Wellness Club - BR - (07/11/08)

Jornal de Jundiaí - Jundiaí - SP (09/11/08)

Diário do Nordeste - Fortaleza - CE (16/11/08)

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Minha geração viveu uma transição curiosa:

Na década de 1960, o "amor livre", os movimentos contra o racismo, a maior acessibilidade ao ensino oxigenaram nossa infância e adolescência, livrando-nos de alguns preconceitos e inventando outros.

Naqueles tempos a gente jogava bola em ruas quase sem movimento. Futebol de botão, carrinhos de "rolimã", bola de gude, coleções de figurinhas e jogos de taco ou "espeto" também faziam parte das distrações da molecada, pois os brinquedos mais sofisticados eram sonhos tão distantes que a gente nem se dava ao trabalho de sonhá-los.

Teve época em que virou "febre" colecionar adesivos plásticos. Lembro de meu irmão mais velho enviar cartas com textos-padrão, em inglês, para os EUA, e receber, em resposta, cartões postais e adesivos da NASA, Penzoil e outras. Os meninos competiam para ver quem tinha os vidros das janelas e malas escolares mais lotados!

Tecnologia? Ter um rádio de pilha era um rito de passagem; um gravador de fita cassete garantia economia e popularidade. Quem tinha um aparelho de som estéreo ou uma câmera Super-8 era quase um ET. Mas, quem não tinha nada disso, nem por isso era menos feliz.

Comunicação? Duas latinhas de fermento em pó e uma linha bem esticada bastavam!

O tempo passou e as mudanças vieram sob forma de uma avalanche de tecnologia: comunicação, realidade virtual, etc. Algumas delas são, hoje, indispensáveis; mas viveríamos muito bem sem muitas das quinquilharias "de ponta" que nos são empurradas e cobradas todos os dias, não porque sejam imprescindíveis, mas para que os outros vejam que as temos. Assim, as aparências continuam e os modismos se sucedem com velocidade vertiginosa. A obsolescência paira sobre coisas e gentes, que também são tratadas como coisas. As informações se multiplicam: condicionantes, contraditórias, ambíguas, e quase não há tempo para processar e concluir racionalmente sobre contextos e intenções. Deve ser a tal da dromocracia...

Dizem: "Comprem!". Compramos. "Façam isso!". Fazemos. O curioso é que quem exorta raramente faz o que incentiva. Em suma: continuamos a ser conduzidos e nem sempre nos divertimos com isso. Quem se diverte e lucra são os outros.

Quais os tempos melhores: aqueles ou os atuais?

Bem, isso é relativo! Mas parece que havia mais tempo e espaço para criatividade, interatividade e amizade.

Mas, ontem como hoje, a escala do tempo continua a mesma, não?

Pois é... Talvez só estivéssemos um pouco mais atentos a ele. E ele retribuía.

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